Há certas coisas em Jesus que, muitas vezes, deixamos passar. Começamos a nos acostumar com alguns “rótulos” que as pessoas criam, e ficamos apenas nisso. Por exemplo: Deus cura, Deus nos livra do mal, o Senhor nos dá bênçãos — e tudo isso é verdade!
Mas, amados, você já percebeu que Deus é muito maior do que conseguimos imaginar? Que a promessa e o cumprimento dessa promessa — o nascimento de Jesus — foram algo extraordinário e, principalmente, necessário para nós?
Essa afirmação, “Deus conosco”, é o motivo de acordarmos todos os dias e realmente não vivermos presos à conta bancária, nem ao fato de o mundo estar ou não em guerra, se há ou não doença na família. Porque Deus está conosco!
Hoje, eu gostaria de analisar com você essa verdade e quão impactante ela é em nossa vida quando entendemos, de fato, que cura, bênçãos e milagres são apenas detalhes diante da presença do Senhor no nosso meio.
Mas, antes de tudo, para entender o impacto disso, precisamos ver como é a realidade quando Deus não está conosco.
Para isso, precisamos voltar ao início…
ANTIGO TESTAMENTO
Gênesis — Deus se relacionava livremente com o homem e a mulher. Ele cria todas as coisas, deixa tudo perfeito, mas o relacionamento, as conversas e as trocas de experiências eram com o ser humano. Porém, o pecado entra nesse relacionamento, e então acontece a quebra da aliança.
Aqui vemos o primeiro impacto: o pecado se torna comum.
Percebemos isso no diálogo de Adão e Eva com Deus, onde um culpa o outro pelo erro, e não há arrependimento.
Somos como o impuro — todos nós.
“Todos os nossos atos de justiça são como trapo imundo. Murchamos como folhas, e como o vento as nossas iniquidades nos levam para longe.” (Isaías 64:6)
Tudo o que tentamos fazer para justificar nossas “boas ações” apenas evidencia o poder do pecado, que nos faz nos acostumar, nos perverter e chegar ao ponto da autodestruição. Nossas atitudes pecaminosas nos levam como uma folha levada pelo vento, para longe da presença do Senhor.
Caim e Abel — Caim mata por causa de um culto e não demonstra remorso.
Noé — Apenas uma família é vista por Deus em meio a tantas pessoas.
Tudo isso porque Deus não estava com o ser humano de forma plena. Poucos buscaram manter o relacionamento do Jardim, e, mesmo assim, o mundo continuou se afastando cada vez mais de Deus.
“Cada um, porém, é tentado pelo próprio mau desejo, sendo por este arrastado e seduzido. Então esse desejo, tendo concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, depois de consumado, gera a morte.” (Tiago 1:14–15)
Imagine uma armadilha no meio de uma floresta, o animal que será pego, não vai ser atraido pelo que ele não quer, mas pelo que ele deseja – UMA ISCA – assim como aquela armadilha com uma isca, é o pecado em nossa vida. O nosso “eu quero” se torna a isca perfeita para a nossa queda.
Com isso, Tiago nos mostra que o pecado gera a morte, o que nos leva ao segundo impacto: a vida tem um fim.
Existe aquela frase conhecida: “A única certeza da vida é a morte.”
Isso é triste, porque essa era justamente a certeza que não deveríamos ter. Não fomos criados para morrer.
Todos os homens e mulheres que buscaram manter relacionamento com o Senhor morreram. A vida continua assim: não vivemos para sempre neste corpo. Se enfrentarmos uma doença grave, podemos não suportar. Nosso corpo é fraco e limitado.
Em Romanos, Paulo diz que o salário do pecado é a morte. Ou seja, nada é de graça nesta vida. Se mantivermos nossa conduta guiada pelo pecado, receberemos o pagamento devido — a morte.
Diante disso, se o pecado se torna comum e a morte é certa, não há salvação pelos nossos próprios esforços. Aos olhos humanos, estamos completamente condenados, pois não existe nada nesta terra que possamos fazer para nos livrar do pecado e da morte.
Portanto, se Deus não está conosco:
- o pecado se torna normal;
- a morte se torna uma certeza;
- e não conseguimos nos salvar.
Você pode trocar de carro, ganhar mais dinheiro, ter muitos bens, aproveitar tudo o que esta terra tem de bom para oferecer — e isso não é pecado. Mas nada disso preenche o nosso ser, nada disso nos salva da morte, nada disso revela o quão brutal e destruidor é o pecado em nossa vida.
Tudo isso acontece porque Deus não estava presente de forma plena na vida do ser humano.
QUANDO DEUS ESTÁ CONOSCO
Voltamos ao texto base: José recebe o sonho confirmando que o filho que nasceria era o Messias, o Prometido. Então o anjo anuncia que Ele será chamado Emanuel — Deus conosco.
“Agora, pois, já não existe nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, livrou você da lei do pecado e da morte.” (Romanos 8:1–2)
LIVRAMENTO DO PECADO
Quando Deus está presente, somos livres da condenação do pecado. Não devemos mais satisfação ao pecado; nossa vida é liberta. Não se trata apenas de livramento de acidentes, doenças ou problemas familiares, mas da escravidão de uma vida longe de Deus.
O pecado passa a ser algo estranho, sujo e incompatível com quem somos em Cristo. Jesus é o modelo perfeito que revela como Deus deseja que vivamos.
Podemos errar, tropeçar e até pecar, mas o nosso espírito se incomoda com a presença do pecado, pois a presença do Senhor em nós é real.
A ESPERANÇA
Quando Deus está conosco, a esperança renasce:
“Disse-lhe Jesus: ‘Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em mim não morrerá eternamente.’” (João 11:25–26)
No contexto da morte de Lázaro, Jesus revela que a morte não tem mais poder final sobre nós. Mesmo que nosso corpo mortal chegue ao fim, a certeza é que viveremos eternamente com o Senhor.
Se nossa esperança estivesse apenas nesta vida, seríamos os mais miseráveis. Se depositarmos tudo em aposentadoria, bens ou segurança terrena, estaremos como alguém que tenta encher um saco furado.
Mas quando a eternidade se torna nosso propósito, a vida ganha sentido. Nossa maior preocupação deixa de ser a conta bancária e passa a ser se vidas estão sendo transformadas. Não é mais se teremos uma boa aposentadoria, mas se nosso nome está escrito no Livro da Vida.
“Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.” (Gálatas 2:20)
SALVAÇÃO
“Esta afirmação é fiel e digna de toda aceitação: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores.” (1 Timóteo 1:15)
Jesus não veio apenas para curar, prosperar ou livrar de problemas. Ele veio para destruir a raiz de todo mal: o pecado.
O propósito foi restaurar a vida perdida no Jardim — o relacionamento com Deus, a identidade de filhos, a comunhão plena com o Pai.
CONCLUSÃO
“Eis o tabernáculo de Deus com os seres humanos. Deus habitará com eles.”
(Apocalipse 21:1–3)
Essa é a promessa final: Deus conosco, para sempre.


