6. A partida

Os últimos dias foram intensos aqui em Jerusalém. Acabei de chegar da rua e muitos ainda falam do rabi misterioso que pode ser nosso salvador de Roma! Se isso for verdade, quero poder conhecê-lo, mas, ao mesmo tempo, quase nada se ouve sobre ele aqui em Jerusalém. Por isso me programei e vou tentar encontrá-lo. Sairei logo cedo, pela manhã, antes do sol nascer, e pegarei a estrada.

Ouvi dizer que ele estava andando pelas montanhas, mas tenho que passar antes em Cafarnaum; dizem que ele esteve — ou ainda está — por lá. Eu sei, parece meio louco eu ir atrás de alguém que só está falando muitas coisas, mas o grande mestre Nicodemos, quando fui questionar sobre esse homem, teve um olhar diferente. Comecei a dizer que não estava acreditando que alguém poderia fazer o que ele faz e ainda ensinar os profundos mistérios da Torá com a autoridade que dizem.

Então ele olhou bem no fundo dos meus olhos e disse: “Meu jovem, eu tenho somente um conselho para te dar: vá e veja, e assim você conseguirá responder todas as suas dúvidas.”

Agora estou aqui, aprontando minhas coisas para correr atrás de alguém que não vi, não ouvi suas palavras e muito menos sei como é seu rosto. O que meus pais pensariam de mim neste momento?

Minha Ima* sempre dizia: Filho, sempre faça de tudo para servir a Adonai, e nunca deixe de buscar seus ensinos. Ela falou isso bem no dia que meu Abba* sofreu um acidente no seu trabalho. Pensamos que ele não sobreviveria, clamei tanto para que Adonai o salva-se, mas ele não suportou. Isso já faz um ano. Com isso, não sei dizer se o que estou indo fazer é para buscar respostas ou simplesmente é loucura da minha mente. 

Enfim… a única coisa que tenho a fazer agora é ir para a cama cedo. Tenho uma longa caminhada até Cafarnaum.

“Ima” (אִמָּא) — mais carinhoso, equivalente a “mamãe”
Abba” — tom afetuoso, íntimo – equivalente a “papai”

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